segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

LUÍS DE CAMÕES

LUÍS DE CAMÕES


Tanto me foram, Ninfa, costumando

Meus olhos a chorar a tua dureza

O que vão passando já por natureza

O que por acidente vão passando


No que ao sono se deve estão velando

E venho a velar só minha tristeza;

O choro não abranda esta aspereza

E meus olhos estão sempre chorando.


Assim de dor em dor, de mágoa em mágoa

Consumindo-se vão inutilmente

E esta vida também vão consumindo


Sobre o fogo do amor inútil água!

Pois eu em choro estou continuadamente

E do que vou chorando te vás rindo

      Assim nova corrente

      Levas do choro, era foro;

Porque de ver-te rir, de novo choro.




 

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