LUÍS DE CAMÕES
Tanto me foram, Ninfa, costumando
Meus olhos a chorar a tua dureza
O que vão passando já por natureza
O que por acidente vão passando
No que ao sono se deve estão velando
E venho a velar só minha tristeza;
O choro não abranda esta aspereza
E meus olhos estão sempre chorando.
Assim de dor em dor, de mágoa em mágoa
Consumindo-se vão inutilmente
E esta vida também vão consumindo
Sobre o fogo do amor inútil água!
Pois eu em choro estou continuadamente
E do que vou chorando te vás rindo
Assim nova corrente
Levas do choro, era foro;
Porque de ver-te rir, de novo choro.
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