sábado, 27 de junho de 2015

DIÁRIO DUMA MULHER CENTENÁRIA

Estar num País desconhecido é uma pesquisa constante, estar numa terra que não é nossa, sentindo e vivendo sensações que me vão sendo trazidas na bandeja de um desconhecido.
De facto é um estreitar de relações entre duas esferas que á primeira vista, nos surgem como desconexas e impossíveis de resolver.
Quem sou eu, senão uma sombra entre tantas outras regionalismos presentes?
As minhas raízes chamam-me num tocante constante mas longínquo.
Acolhem-me numa cordialidade perfeita, em que quase posso sentir um algo ao qual ainda não deu forma, e muito menos um nome.
A vida é tudo isto, e mais um pouco.
Sinto-me ainda no principio e que muitos outros fatores vão contribuir para o surgir da palavra saudade.
Apesar de tudo o que é novo, senti-me só, caída numa nuvem carismática e cheia de cor.
E o que deixei para trás?
Família, pais, amigos...
Sinto falta daquela rotina cadenciada, e por vezes patética, mas que ao mesmo tempo, suscita em mim, uma vontade inoportuna e incomodativa, em voltar e ficar para sempre.
Tenho saudades, sinto falta do que não vejo, do que não deslumbro, mas que só consiga adivinhar no caudal imenso das minhas recordações.
Arrependimento?
Não
Sinto o que julgava nunca ter forças para sentir.
Se mudei ou estou a mudar, só o futuro o vai denunciar, por agora mantêm-me afastada.
Tenho vontade de me estender de novo na cama e escutar o eco da paz quente mas desesperada.
Os minutos fazem-se horas e as horas fabricam dias, tudo somado reúne-se em inconsistência.
Amo o meu país, a minha gente, o tocar do telefone, o pequeno almoço mal tomado, as fugas ás aulas a chegada atrasada e as desculpas feitas á pressa.
Onde está tudo isso?
As carícias fugidias, as lutas travadas no neutralismo da vingança falada e do sofrimento guardado?
Para quem e quem estará á minha espera?
Hoje com perto de cem anos recordo com saudade a minha vinda a Portugal que aprendi amar, como se fora pátria minha.
  

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