POESIA DO POETA JÚLIO DINIS
A ESMOLA DO POBRE (1868)
Nos toscos degraus da porta
da igreja rústica e antiga
velha, trémula mendiga
implorava, compaixão
Quase um século contado
de atribulada existência
ei-la, enferma e na indigência
que á piedade, estende a mão
duas crianças brincavam
á distância, na alameda
uma trajava de seda
doutra humilde, era o trajar
uma era rica, outra pobre
ambas louras e formosas
nas faces a cor das rosas
nos olhos o azul do ar
cento e cinquenta anos nos separam deste poeta de Júlio Dinis, se olharmos este presente ferido, verificamos que nada foi alterado ao longo dos tempos. Continua a existir a pobreza e a riqueza em que as almas são iguais, o desejo de ser feliz é de igual modo ansiado, será que precisamos de mais cento e cinquenta anos, para que a humanidade tenha mais abertura, para que a igualdade dos povos seja mais justa. A balança da vida é penosa para os mais necessitados enquanto os outros, continuam vestidos de seda.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário