terça-feira, 19 de novembro de 2024

A POBREZA TEM ARTE DE SE SONHAR

Ontem esperei-te, na curva da estrada. Como sempre, ao fim duma tarde de calor

eu te procuro, com mais amor

Vinhas afogueado, estendi os meus braços, e te apertei, junto ao meu coração

Passámos pela nossa casinha humilde, deixando a tua marmita do almoço a descansar

Alegres, corremos para nos banharmos no rio. As nossas roupas são pobres

mas a nossa felicidade não tem limites.

De corpos nus, entrámos nas águas frias para arrefecer os nossos corpos nus.

Depois, cansados, nos deitámos na erva que faz de pasto para os animais.

E naquele deserto da aldeia, fizemos amor a medo.

Apenas tinha mos as ervas altas para nos proteger.

Vestimos as roupas humildes um pouco abandonadas, e subimos o monte, para fazermos um jantar, da nossa horta, oferecido.

A noite caiu, a brisa entrava nas frestas das tábuas que serviam de janela.

Lá fora, a noite estava estrelada, e nos convidava, ao fresco da noite

Perto da meia-noite, ouviu-se os sinos da igreja.

É hora de descansar.

 

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